O meu filho mais velho é muito meigo. Gosta de beijinhos, abracinhos e amassos, mas quando chega a hora de descobrir o mundo não quer saber de nós para nada.
O seu primeiro dia de escola - há 2 anos atrás, tinha o pequeno 1 ano e pouco - não podia ter sido mais fácil.
- Olha tantas coisas giras! Adeus mãe, podes ir à tua vida, eu fico bem!
(não que ele tenha dito isto, porque na altura dizia 2 ou 3 palavras mal amanhadas)
Uma pessoa habitua-se. Fica feliz de ver o seu rebento tão independente e pensa que afinal isto não tem nada que saber.
E depois, vem a segunda.
Muito mimosa e meiguinha. Um doce! Mas que só quer a mãe e não gosta de estranhos. Que começa com o beicinho se alguém olha para ela. Que abre o berreiro se a mãe sai da sala.
O primeiro dia de escola prometia…
Fomos todos, mãe, pai e mano, para ver se a coisa em família corria bem.
Não correu.
O primeiro dia de escola da minha filha mais nova foi o que se pode imaginar. Isso tudo e mais um bocadinho.
Disse a mim mesma: inspira, expira. Conta até 100.
Ela cala-se assim que deixa de te ver.
Isto é só no primeiro dia.
Uma semana, vá.
Ou, talvez, duas.
Bom, se calhar, vai andar nisto o ano todo…
Mas eis que, ao fim de duas semanas, de repente, de um dia para o outro, sem pré-aviso ou notificação, vai direita à porta, empurra-a (ou tenta, porque aquilo é à prova de bebé e tem cancela) e entra pelo seu pé. Desconfiada, mas cheia de coragem.
Nem uma lágrima, nem um ai!
E eu, estarrecida. Entre o orgulho e a incerteza.
(Será que fica mesmo? Quantos segundos até desatar a chorar? Deixa lá esperar um bocadinho ao lado da porta.)
Nada.
Fiz alguma coisa diferente?
Sim.
Antes de chegar à porta, coloquei-a no chão e com o meu melhor sorriso disse-lhe:
- Agora vai para a tua sala.
E ela foi.

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