3 de outubro de 2016

Nem otcho nem otchenta AKA saturday night fever (ainda sobre sapatos)




Há uns anos atrás (não muitos mas por acaso parece que foi na era do paleolítico ) sábado à noite significava apenas isto: Bairro Alto e Jamaica.
OK, foquemo-nos no agora (inserir som de um vinil a fazer rewind).
Este sábado os meus pais decidiram ir comprar uns sapatos à Magali. A pessoa pequena foi porque está naquela fase ora calça 24, ora calça 25. Até aqui tudo bem. Como não estávamos em casa decidi pedir ao Rui que fosse andando com a Concha (5 meses) para casa e eu fui para a noite. Sim, NOITE.
Estou a brincar, fui às promoções do Continente. Tcharannnn!
Não havia programa melhor naquela noite.  Eu precisava tanto. Não estou a ser irónica.
Eu estava em êxtase com a possibilidade de estar sozinha (apesar de empurrar um carro na mesma). Era o meu momento. Já tinha selecionado as coisas a comprar para não demorar horrores mas ainda assim lá me fui bambuleando, qual Gisele Bündchen qual quê?!!
De repente, liga a mãe.
-Vê os sapatos no whatsapp. Mandei foto.
Eu não vi nada.
Liga novamente.
-  Já viste?
E eu continuava a não ver nada . Problemas de redes e afins.
Após descrição, via telefone,  lá me decidi pelo modelito camel em vez do azul.
Desligou.
Ligou novamente . (chocalhos na minha cabeça a badalar)
- Olha mas não há. Já pedi noutra loja. Depois ligam-me.
Sim. Está bem.
Inspiro , expiro, conto até dez em grego.

Feliz da vida , lá vai ela formosa e airosa à fonte.

Toca o telefone. Era o Rui. 
Pronto.
Já foste Raquel.
J-Á    F-O-S-T-E.
-       Não sei como te hei-de dizer isto de outra maneira. (muitos silêncios)
       A Concha não se cala desde que tu saíste.
(pelo menos aprendeu, antes punha a Conchinha aos gritos ao telemóvel e até o leite me esguichava das mamas)
- OK. E as compras?
Penso em abandonar o meu amigo carrinho. Mas armei-me em gaja. Aquela que resolve (tipo Worten).
A partir daí foram 5 minutos que pareceram 5 horas. Acho que até andei em contra mão (com o carro que tem motor). Larguei o carro (o que tem motor) e corri pelas escadas. Ponho a chave à porta e lá estava ele de pé, a abaná-la, com aquele ar de quem tinha tentado fazer o pino, cantado 2 itsy bitsy spider, 3 músicas da carochinha e 1 modinha do Panda.
Ela, assustadoramente cala-se e vem para o meu colo. E ainda se ri.
É mamodependente. Desculpem. mamadependente (as duas mamas, com e sem til).
As compras?! Onde andam? Ah no carro! 
O cão ainda não foi à rua!
Fomos todos para a rua.
Eram 11 da noite.
Chegámos a casa.
Chegam também os avós com a Magali que (claro!) vinha na sua vigésima terceira birra do dia.
- Mãe por favor o Colombo é lindo, quero lá ficar para sempre! 
(vem ao de cima a campónia que há nela, parece que nunca saiu de casa)
Agora chora porque quer que os avós não vão, chora porque não quer dormir, chora porque lhe apetece, chora porque sim! 
Beijinhos a uma. Amassos à outra. Abraços ao outro. Festas a outro. 
            Às vezes só queria que o tempo parasse um bocadinho.


                       Que não fosse, assim como diria Jorge Jesus, nem otcho nem otchentcha!

Raquel "a estratega"

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