16 de outubro de 2016

Um clube para a vida










Neste fim de semana, a propósito dos torneios de futebol dos rapazes, voltou à baila (já o tínhamos discutido a propósito de uma opinião do Dr. Mário Cordeiro) o assunto da inscrição dos miúdos como sócios nos clubes de futebol. Isto é feito por pais, mães, avós e familiares das crianças (muitas vezes, contra a vontade dos próprios pais) e presenteado com histeria no natal, aniversário ou assim logo à nascença, mal o ser abre a pestana (esta para mim, é a melhor).

Dando a importância que queiramos dar ao assunto, confesso que não concordo. Desenganem-se os que acham que não concordo pelo vínculo. E acalmem-se os que vão perguntar se os meus filhos são batizados e quem sou eu para não os deixar escolher. O que me aborrece é a obrigatoriedade imposta às crianças desde muito cedo quanto à escolha da cor do seu coração. Muito mais que qualquer religião, casamento ou contrato. Futebol sim, é assunto sério.

Não sei onde se foi buscar esta ideia de que não se muda de clube. E que quando se escolhe, não mexe mais. O clube de futebol do qual se é adepto, é só um. É para ser assim. É das poucas coisas certas da vida.

O teu clube! (Para ser lido de peito cheio e voz grossa)

Certa é também a evangelização precoce da família sejam todos ou não adeptos do mesmo. Havendo diferenças clubistas, ficam uns a puxar para um lado e outros para o outro no meio de risotas e jogos com grande desportivismo, até a criança escolher. Quando decidir, está decidido.

Agora expliquem-me lá.
Passamos a vida a tentar educar as nossas crianças para que sejam adaptáveis às circunstâncias, permeáveis às mudanças, a pensar pelas suas próprias cabeças. Autónomos com responsabilidade.
Queremos que conheçam o mundo, que vejam as diferenças e as aceitem, e que respeitem o próximo sem perderem a sua identidade. Queremos que cresçam, que evoluam, que mudem, que se tornem melhores pessoas todos os dias e até usamos várias frases de incentivo ao longo da vida deles:

"Se não estás bem, muda-te"
"Quem muda, Deus ajuda"
"Se mudar, vai facilitar"
"A cabeça é redonda, para virar ideias"
"Nada é permanente, excepto a mudança"
"Só deves ter medo do que nunca muda"

Nós próprios, enquanto pais, mudamos a escola se os filhos não estão felizes, mudamos a casa para terem jardim onde brincar ou para estar mais perto dos amigos ou da família. Mudamos os planos para que possam ir a algum sítio que gostem. Mudamos o que nos apetece comer porque eles preferem bife e batatas. Fazemos inúmeras cedências, no dia a dia, pelos nossos filhos.

No fim, há quem defenda que se muda de casa, de carro, de emprego, de cidade, mas são tudo coisas materiais. O coração não muda.
Não? Todos os dias vejo mudanças de coração. Todos nós ao longo da vida mudamos de gostos, de companheiros amorosos ou de partido político. Mudamos de religião ou deixamos de ter religião de todo. Mudamos hábitos alimentares, mudamos rotinas, mudamos sentimentos. Mudamos de amigos, conhecemos pessoas com quem nos identificamos mais. Mudamos de ideias.
Mudamos tantas vezes de ideias.

Mas o clube do qual és adepto........ Isso não muda. Isso é eterno.

Isso é assim. Isso, é porque sim.

Ju, a "cáustica"

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