30 de outubro de 2016
A mia Bia?
Dizem os especialistas que os bonecos de conforto são muito importantes para a confiança e a sensação de segurança da criança, principalmente na hora de dormir.
O nosso filho mais velho nunca quis saber disso. Não liga nenhuma a peluches e nunca ganhou afeto especial a nenhum boneco. Como ele dormia pouco, insistimos na procura de um amiguinho de brincar que o ajudasse na hora de dormir. Depois de muitas experiências, lá conseguimos que se apegasse a um boneco que ainda hoje é a sua companhia durante a noite. E, na verdade, começou a dormir melhor, seja coincidência ou não.
Por isso, ficámos todos contentes quando a mais nova se agarrou logo desde os dois meses de idade a uma coelhinha de peluche que lhe ofereceram à nascença. Era conforto garantido assim que se abraçava a ela e passados uns minutos estava a dormir. Batizamo-la de Bia e passou a ser a sua melhor amiga.
Desde essa altura que vai com ela para todo o lado, agarra-se a ela com unhas e dentes e desata aos berros (A mia Bia, a mia Bia?) se a perde de vista por um segundo que seja. Às vezes o boneco está cinzento em vez de cor-de-rosa e é um dia de desespero quando se tem que lavar. Já sabemos que vamos ter perguntas de cinco em cinco minutos – a mia Bia, a mia Bia?
Ontem, descobrimos a seguir ao jantar que não sabíamos da Bia.
Bum!
Bum, bum!
Baque no coração, dor de cabeça a crescer, suores frios a descerem pelas costas…
Como não sabemos da Bia? Como?
E agora?
Toca a procurar em todos os recantos da casa. Debaixo do sofá, das mesas, das cadeiras… debaixo do monte de brinquedos que temos na sala.
Nada de Bia.
Pensamos que talvez tenha ficado no carro e lá vai o pai procurar. Não está! Na rua, debaixo do carro? Também não. Será que o cão a apanhou e levou para dentro da casota? Nada!
Nada de Bia.
Bolas! Raio do peluche… são 9h30 da noite e a miúda já devia estar a dormir.
Bom, vamos assobiar para o ar, a miúda ainda não perguntou por ela, pode ser que não se lembre (pensamentos inúteis, mas nestes momentos somos os primeiros a acreditar no Pai Natal). Damos-lhe o segundo melhor amigo para a mão e deitamo-la como se tudo estivesse dentro dos conformes. Excelente ideia! Não passam nem 30 segundos até começar a choradeira. Mas das grandes!
A mia Bia, a mia Bia?
É oficial: O mundo vai acabar no próximo minuto se a Bia não aparecer…
Voltamos à enumeração das hipóteses, procuramos outra vez nos mesmos sítios, em desespero de causa, o pai resolve procurar pela terceira vez no carro.
E lá vê, finalmente, uma orelhinha castanha a espreitar debaixo da cadeira da miúda. Como, mas como, de que forma e em que momento é que isto veio aqui parar?
Nem um minuto depois, a miúda já está a dormir… suspiramos os dois bem fundo e podemos voltar às nossas vidas. O mundo não acabou e a vida é bela.
Os bonecos de conforto dos nossos filhos são muito importantes para a confiança, a segurança e para uma boa noite de sono.
É isso tudo.
Mas são também os maiores monstros nos nossos piores pesadelos.
Sónia "a cota"
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Cá em casa cada um tem o seu "Zé" que dorme com eles desde a primeira noite em casa... A grande vantagem de termos sido nós a escolher os seus companheiros de conforto é que arranjamos sempre dois iguais, podemos assim lavar um e dar-lhes o outro... Também já evitámos algumas buscas loucas em momentos de "perda temporária", podemos pô -los a dormir com o "outro Zé" e depois procurar o perdido! Eles inicialmente não sabem da existência de outro e não os distinguem porque como são usados alternadamente acabam por estar igualmente gastos! Tenho de concordar que estes amigos deles são fundamentais para a tranquilidade, são companheiros de o-o e também de momentos difíceis como idas ao doutor!
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