Ontem encontrei, por acaso, uma amiga.
Tem dois filhos com idades semelhantes às minhas filhas.
Temos percursos semelhantes (com tudo o que isso tem de bom e mau).
Ontem, a minha amiga, não me tirou as palavras da boca. Ontem a minha amiga verbalizou em tom de questão os meus pensamentos de há já algum tempo:
- Raquel, tu não sentes que estás sempre a planear coisas? A planificar?
Sim. Estou.
Sinto que planifico ementas, horas de banhos, planeio horas das refeições e horários para dormir (às vezes tenho que negociar para não comprar guerras diárias e fico com trunfos na manga para o dia seguinte), o que vestir de manhã para otimizar despertares assim assim, planifico fins de semana para fazermos coisas giras e divertidas ou simplesmente não fazermos nada e darmos abraços, planifico a falta de tempo que tenho e peço ao relógio que se avarie para o tempo esticar, planeio sopas, pratos, planifico o que fazer na ausência do pai e gerir os reforços nessas alturas, planifico compras, planifico aulas e reuniões, passeios do cão, planeio as horas das mamadas (não encontro uma maneira mais fofinha para dizer isto, desculpem), planeio e planeio e planeio.
Para estar em tudo e não faltar a ninguém.
Hoje fiquei sozinha sem as minhas filhas, um período da tarde, para tentar trabalhar para as minhas aulas que estão quase a começar ( aqui). Dei por mim a olhar para um ponto branco na parede branca.
Tive tempo para pensar. Tive tempo para parar.
Vem-me muito à cabeça o facto de ser filha única (esta definição mega standard é para outro post porque únicos somos todos), ter duas filhas e de estar a aprender e a ver quase tudo pela primeira vez. Amor de irmãs, não sei o que é, ser mãe de duas muito menos...
Sinto que estou numa missão.
Ter filhos é uma vontade.
Criar filhos é uma missão.
Missão de amor, missão de fazer crescer (nós e eles), missão de falhar e tentar ir por outro caminho, missão de deixarmos as nossas frases feitas de solteira "eu nunca vou fazer", "eu é que sei" (e olhem que pela minha boca já morreram muitos peixes), missão de valores e regras, missão de proporcionar aprendizagens e sobretudo dar-lhes espaço para pensarem e serem criativos à sua maneira (mesmo que isso para nós não faça sentido e... às vezes não faz nenhum), missão para nos questionarmos a toda a hora se isto ou aquilo foram as decisões mais corretas... missão mas nunca obrigação.
Que esta missão nos livre de ideias pré concebidas e de estereótipos quotidianos. Dos "tens de ser" e dos" porque sim"!
Que esta missão não nos deixe cair em tentação.
P.S. - Ela foi para o Judo, não foi para o ballet.
Raquel, a "estratega"

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