6 de novembro de 2016

Como falar para as crianças ouvirem e ouvir para as crianças falarem

Sou eu quem por regra vai buscar a Beatriz e o Eduardo à escola.
O Eduardo ainda não mantém uma conversa mas a Beatriz é muito conversadora. Contudo, o relato do dia é coisa que não lhe agrada.
Há dias em que nos sentamos no carro e ela começa a contar as suas aventuras e aprendizagens, mas há outros (a maioria) que se fecha em copas e não diz nada.... E quanto mais lhe pergunto menos conta.
Não é fácil manter uma conversa sem parecer um interrogatório!
Também o estilo da descontraída ("ah! Estás com um ar feliz. Correu tudo bem, portanto!" Não queres falar? Não faz mal!") também não resulta, porque nada diz.
Depois de várias abordagens para matar a minha curiosidade sem sucesso, apercebi-me que o melhor momento para saber o que se passou durante o dia ou semana, e até o seu verdadeiro estado de espírito, é quando ela está a brincar. E é tão bom brincar com ela!
A Beatriz adora pintar, colar, recortar papéis, fazer livros de actividades, por isso nada como me juntar a essa brincadeira! E a conversa flui "Vou pintar de vermelho. O André gosta muito do vermelho. Ele é do Benfica. O Manel é dos verdes. Sabes como se chamam? Sporting! Eles jogam à bola e como eles são meus amigos eu também jogo!"
Uma dica - não cair na tentação de fazer perguntas! O melhor é mesmo o estilo da psicanalista: Palavras soltas só para deixar a conversa fluir ... "Pois. Estou a ver. Hmmm. Foi? Curioso...".  Por vezes dá para orientar um pouco, se quiser perceber algo, como no outro dia que fiquei na dúvida se a marca que trazia no corpo era de uma dentada: "Uii, isso parece mesmo divertido! Mas espero que ele seja um lobo mau que não morda!"
É importante ouvir o que ela tem para dizer, no momento em que ela decide (o que nem sempre é fácil) e não interromper. O que nós temos para dizer pode esperar e a maior parte das vezes as nossas observações e conselhos não são assim tão importantes!
Para conhecermos a maneira como pensam, as dúvidas que têm, o que mais gostam e receiam, nada como estar presente mas dar espaço!....
Uma tarefa difícil que muitas vezes requer um controlo racional do impulso mais básico: controlar tudo.

Um livro excelente que me foi aconselhado há pouco tempo sobre este tema e que é muito interessante e útil (acima de tudo útil, porque tem imensos casos práticos e exercícios muito engraçados sobre a maneira de lidar com birras, com o silêncio, com os confrontos, medos, etc) é o "Como falar para as crianças ouvirem e ouvir para as crianças falarem".
Recomendo a leitura!
Depois venham cá contar os resultados deste método. Acredito que vão assistir a algumas mudanças do vosso agrado!

Susana C. "a corajosa"



1 comentário:

  1. A minha filha,que já tem 11 anos, NUNCA gostou de falar sobre a escola. A escola é uma coisa e a "vida cá fora" é outra e não há misturas! Isto já vem de pequenina...e não valia a pena insistir, nem usar "tacticas" porque ela só contava o que queria e quando queria. Hoje em dia, a conversa sobre a escola é á hora do jantar (estamos a evoluir) e quando lhe pergunto alguma coisa no carro, diz-me logo que isso é conversa para a hora do jantar :)

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