12 de novembro de 2016

Sensei, quero isso tudo!




















O meu aprendiz de gente de 3 anos é agora também aprendiz de judo. Como ele não conta nada do que se passa na escola, eu não faço ideia do que ele anda a fazer nas aulas e se, de facto, aproveita alguma coisa. Mas sei que ele adora! Por ele, tinha aulas de judo todos os dias.

Tendo sido uma decisão algo maturada e ponderada (tinha as minhas dúvidas sobre a prática de judo por crianças tão novinhas) pesquisei sobre o assunto. Fica aqui o resumo do que encontrei…

Criado em 1882, no Japão, por Jigoro Kano, que modificou o “jujutsu” - uma ancestral arte marcial, praticada entre os séculos XII e XIV, mas que não tinha regras próprias e utilizava golpes muito perigosos e até mortais, com uma utilização desmedida de força – transformando-o num desporto assente na educação física e não numa luta violenta.

O Judo é, então, uma arte marcial, praticada como desporto de combate, essencialmente de defesa pessoal. A palavra significa “caminho suave”. O praticante de judo recorre à força e ao peso do adversário para o controlar, desequilibrar e vencer com um esforço mínimo.

Os professores de judo são conhecidos como Sensei, que significa antes (sen) e vida (sei), ou seja aquele que te precedeu.

A Organização Mundial de Saúde e a UNESCO recomendam o judo como um dos desportos mais completos. A sua prática é recomendada desde a infância, dado que permite um desenvolvimento de vários aspetos ao nível físico, intelectual e social.

Entre os benefícios apontados na prática do Judo por crianças, destacam-se:
  • Disciplina;
  • Controle muscular;
  • Aperfeiçoamento do reflexo;
  • Desenvolvimento do raciocínio e da concentração;
  • Equilíbrio mental;
  • Reforço do carácter e da moral;
  • Fortalecimento da autoconfiança e da autoestima;
  • Fomento da competição sadia;
  • Respeito pelos companheiros.
(Sim, sim… quero isto tudo para o rapaz.
Sensei, se conseguires isto com o meu filho…
Até eu me inscrevo nas aulas.)

Tem um extraordinário Código Moral, que deve ser aplicado em todos os aspetos da vida de um judoca:
  • Amizade: o respeito, a sinceridade e a modéstia são a base para construir laços de amizade com aqueles que o acompanham nesta escola de vida.
  • Autocontrolo: controlar as emoções e os impulsos, principalmente os negativos, mantendo-se concentrado nas suas capacidades e naquilo que tem de ser feito.
  • Coragem: no judo (tal como na vida) ser corajoso implica saber começar uma coisa, ter a força para continuar, mesmo sem resultados à vista, e nunca desistir, ter sempre esperança.
  • Cortesia: existem um conjunto de regras e de etiquetas que devem ser respeitadas; o judoca tem de ter sempre consciência das suas atitudes e consequentes resultados.
  • Honra: ser digno consigo próprio e com os outros; dar o melhor de si e fazer por ganhar, mas não procurar a vitória a qualquer custo.
  • Modéstia: saber ganhar, saber perder, ser humilde e despretensioso em ambas as situações e, acima de tudo, com os seus colegas.
  • Sinceridade: saber ser verdadeiro e exprimir-se genuinamente, o que implica um grande conhecimento e aceitação de si próprio.
  • Respeito: talvez o valor mais importante do judo e da vida; é essencial respeitar-se a si, aos outros atletas, ao professor, àquilo que se passa no tapete. Só com respeito é que há confiança, verdade e amizade.

(... Sensei, quero isto tudo também,
se não for pedir muito…)

E tem ainda o cumprimento ou saudação como símbolo do respeito, cortesia e amizade pelos outros. Por isso, o praticante de judo deve sempre efetuar a saudação no início e no fim de cada atividade, seja uma prova, uma aula ou um treino. Este sinal de respeito e cortesia pelo oponente distingue os verdadeiros vencedores.

Estou encantada, não com as aulas ou a evolução do rapaz, porque ainda agora começou e, como disse, ele não conta nada… mas estou encantada com a filosofia do desporto e com a felicidade do meu filho nos dias em que sabe que tem judo.

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