31 de outubro de 2016

Uma refeição rápida






Venham os fim de semana preenchidos! Rua, muita gente, festas de criança, horas seguidas com os miúdos. Gostas tanto. Disso e de ben u ron. Juntos então, são uma conjugação vencedora. 

Sábado. Acorda, futebolada dos rapazes, sapatos para a pequena, almoçarada com amigos, festa com insuflavel, jantar, xixi, dentes, cama. (Sim, ainda no meio de móveis e baldes de tinta)..

Domingo. Acorda. Muda a hora dos relógios de casa e do carro (não vás asneirar como TODAS as vezes que muda a hora). Festa com póneis e bicharada, almoço, festa de aniversário da tia na casa da avó e adeus que amanhã é dia de escola.

Chegas a casa. Relógio. Que tarde. Tens de preparar qualquer coisa rápida. Hoje estás sozinha, sem o sr. Cáustico. Há banhos para dar. Mesmo tarde, caramba. Os miúdos precisam dormir, pararam por momentos e parecem estar em exposição no Madame Tussauds. Bacilentos. De olhar fixo. 

Pensa. Um jantar rápido. Bolas, pensa. Não caias na tentação. Não faças douradinhos. Too easy. Já ninguém faz isso. Os miúdos dos outros estão neste momento a comer bagas goji em saladas exóticas com húmus, raspas de cenoura, arroz integral, peixe pescado há 2 horas e sumo de romã acabado de fazer. Tudo biológico. 

Vá lá, vês todos os dias inúmeras ideias de receitas fáceis e rápidas no insta, no fb, nas revistas de casa da sogra. Não planeias? Por favor, criatura! Não te deixes cair nos douradinhos! Tu és melhor que isso. No fundo, não. Percebes tanto de cozinha como um suporte de papel higiénico. 

Um espaguete de atum - não há tomate
Um salmão no forno - não descongelaste o salmão 
Uns ovos mexidos - comeram ovo ontem
Umas tostas com batatas de pacote - estás a ser má mãe 
Courgete espirilizada com camarão - não tens espirilizador
Um empadão de qualquer coisa - demora demasiado
Croquetes, rissois, bolos de bacalhau - não, são fritos. Não se dá fritos aos miúdos.
E é sempre isto. Ou não é saudável, ou não tem proteína, ou os miúdos não comem, ou não tens um ingrediente. E de repente as refeições rápidas são um longo pesadelo. 

NÃO     FAÇAS      DOURADINHOS. 
Faz um esforço. Abre o frigorífico. O que tens? 

Iogurtes. Enchidos. Arroz de ontem. Vinho. Doce de abóbora. Azeitonas. Minis. Um tupperware com um resto de comida que te sentes melhor ao deitar fora só depois de 3 dias a ganhar fungos. Um ramo de coentros. Babybel. Limão. Tens que melhorar este frigorífico. Um dia. Tens de ir todas as semanas ao super. Ah, já vais. Planeamento. É isso. Falta planeamento. 

Salsichas não são saudáveis. Calma, sopa tens. Isso ta planeado. As mães sabem que pelo menos sopa tem de haver. 
A sério.... Há receitas para aí aos pontapés, livros só de receitas rápidas para o improviso, artigos de 3 ou 4 ideias para frango rápido, atum rápido, bife rápido, massa rápida. É tudo tão rápido, caramba! 

E no entanto, passaram 15 minutos só para tentares decidir o que vais fazer justamente em 15 minutos. Não há receita que tenhas todos os ingredientes, ou que não precisasse de haver algo descongelado. Ou fresco. 

Mais 10 minutos. Mais pressão. Os miúdos estão mesmo cansados. 
Está mais que visto que sentes a pressão. E ela afeta te. 

Sabem o que é rápido??
Douradinhos! Os douradinhos são rápidos!! (A ler aos gritos com raiva da cozinha, culpa de mãe, em jeito de desafio misturado com esgotamento nervoso)

Enquanto lavas os traquinas e sai sarro como se fossem uma versão do Mogli, aquelas raspas de peixe aquecem e quase parece um jantar. Aqueces o arroz de ontem. 
Aviem isso em três tempos. Sopa, raspas de peixe e maçã. Tens de comprar fruta da época, ok? 

Ufa, pronto. Já está. Que rapidez. Hoje foi mesmo duro. Vá, Vamos para a cama. Xixi e dentes. Deitar. História. Beijinho. Mesmo a tempo. Que tarde, meus amores.
Estão a ver? Olhem para aqui. São 20:30............ 

Uma hora mais cedo que o habitual. 

Todas as mudanças de hora. Todas. 

Ju, a Cáustica

30 de outubro de 2016

A mia Bia?


Dizem os especialistas que os bonecos de conforto são muito importantes para a confiança e a sensação de segurança da criança, principalmente na hora de dormir.

O nosso filho mais velho nunca quis saber disso. Não liga nenhuma a peluches e nunca ganhou afeto especial a nenhum boneco. Como ele dormia pouco, insistimos na procura de um amiguinho de brincar que o ajudasse na hora de dormir. Depois de muitas experiências, lá conseguimos que se apegasse a um boneco que ainda hoje é a sua companhia durante a noite. E, na verdade, começou a dormir melhor, seja coincidência ou não.

Por isso, ficámos todos contentes quando a mais nova se agarrou logo desde os dois meses de idade a uma coelhinha de peluche que lhe ofereceram à nascença. Era conforto garantido assim que se abraçava a ela e passados uns minutos estava a dormir. Batizamo-la de Bia e passou a ser a sua melhor amiga.



Desde essa altura que vai com ela para todo o lado, agarra-se a ela com unhas e dentes e desata aos berros (A mia Bia, a mia Bia?) se a perde de vista por um segundo que seja. Às vezes o boneco está cinzento em vez de cor-de-rosa e é um dia de desespero quando se tem que lavar. Já sabemos que vamos ter perguntas de cinco em cinco minutos – a mia Bia, a mia Bia?

Ontem, descobrimos a seguir ao jantar que não sabíamos da Bia.
Bum!
Bum, bum!
Baque no coração, dor de cabeça a crescer, suores frios a descerem pelas costas…
Como não sabemos da Bia? Como?
E agora?
Toca a procurar em todos os recantos da casa. Debaixo do sofá, das mesas, das cadeiras… debaixo do monte de brinquedos que temos na sala.
Nada de Bia.

Pensamos que talvez tenha ficado no carro e lá vai o pai procurar. Não está! Na rua, debaixo do carro? Também não. Será que o cão a apanhou e levou para dentro da casota? Nada!
Nada de Bia.

Bolas! Raio do peluche… são 9h30 da noite e a miúda já devia estar a dormir.

Bom, vamos assobiar para o ar, a miúda ainda não perguntou por ela, pode ser que não se lembre (pensamentos inúteis, mas nestes momentos somos os primeiros a acreditar no Pai Natal). Damos-lhe o segundo melhor amigo para a mão e deitamo-la como se tudo estivesse dentro dos conformes. Excelente ideia! Não passam nem 30 segundos até começar a choradeira. Mas das grandes!
A mia Bia, a mia Bia?

É oficial: O mundo vai acabar no próximo minuto se a Bia não aparecer…

Voltamos à enumeração das hipóteses, procuramos outra vez nos mesmos sítios, em desespero de causa, o pai resolve procurar pela terceira vez no carro.

E lá vê, finalmente, uma orelhinha castanha a espreitar debaixo da cadeira da miúda. Como, mas como, de que forma e em que momento é que isto veio aqui parar?

Nem um minuto depois, a miúda já está a dormir… suspiramos os dois bem fundo e podemos voltar às nossas vidas. O mundo não acabou e a vida é bela.

Os bonecos de conforto dos nossos filhos são muito importantes para a confiança, a segurança e para uma boa noite de sono.
É isso tudo.
Mas são também os maiores monstros nos nossos piores pesadelos.

Sónia "a cota"

29 de outubro de 2016

A persistência da criança

O Eduardo (quase com dois anos) pergunta todos os dias, sem excepção, ao António (com 2 meses) se quer ir brincar aos cubos com ele...
Sem resposta vai brincar sozinho mas não perde a esperança de no dia seguinte construir a torre com o mano! Admiro a persistência desta criança.

Susana "a corajosa"


28 de outubro de 2016

Mãe, tive uma ideia!



No outro dia, estava o Miguel entretido a brincar com os carros da Patrulha Pata - que passaram de melhores amigos a brinquedos desinteressantes e novamente a melhores amigos quando chegaram os novos episódios - e de repente vem ter connosco, espeta o indicador esquerdo no ar e diz "Tive uma ideia!".

Tive uma ideia!

Ele teve uma ideia!

O rapaz teve uma ideia e cheio de alegria veio partilhar com o mundo, que no caso dele e às 20h30 da noite se resume ao pai e à mãe. E à irmã, que não percebe nada do que ele diz, mas acha sempre muita piada.

Nós ficámos todos contentes, na expectativa, já imaginando patentear a dita cuja, fazer fortuna e viver dos rendimentos.

- E então qual é? Conta, conta.

Ele sorri-se num grande sorriso, vira costas e volta para os carros da Patrulha Pata.

Mas então?

Está a fazer-se difícil, o miúdo…

E voltamos a perguntar, de várias formas e em tons diferentes. E ele, a ignorar-nos ostensivamente, recusa-se a voltar ao assunto. Já disse o que tinha a dizer e o assunto está arrumado. Não queiram saber demais, a notícia está dada.

E assim se acaba o sonho das grandezas.

Não é desta que ficamos ricos... mas o que verdadeiramente interessa, para ele e para nós, é que a aventura das ideias começa. A celebração, para ele e para nós, é na verdade o momento único, mágico, alegre e maravilhoso daquela luzinha a acender-se no cérebro e a fazer conexão com muitas, tantas outras coisas.

Por isso, sim, é desta que ficamos um pouco mais ricos. Aleluia, o puto teve uma ideia!


Sónia "a cota"

27 de outubro de 2016

Já tem programa para a família? Nos dias 29 e 30 tem muito por onde escolher!





Aqui seguem as sugestões para o último fim de semana de Outubro.... E não se esqueçam que no Domingo muda a hora (às 2h00 regressamos para a 1h00)!

A pagantes:

- "O Meu Monstro no Armário" - para maiores de 6 anos, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, Lisboa, no dia 29 de Outubro (Sábado), às 16h00.
Um conto e uma oficina de expressão plástica sobre o medo.
(€5)

- "Brinquedos para Ideias Sérias" - dos 5 aos 9 anos, no MAAT, Lisboa, no dia 29 de Outubro (Sábado) às 15h30.
Com base em peças e brinquedos criados por Charles e Ray Eames, esta oficina pretende criar um novo brinquedo usando materiais como cartas, formas geométricas de cores opacas ou blocos de madeira e papel, que depois poderá ser levado para casa.
(€5)

- "Invasão Intergalática" - dos 4 aos 12 anos, na Reitoria da Universidade do Porto, no dia 29 de Outubro (Sábado) das 15h00 às 19h00.
Oficinas de Halloween para várias idades, com contadores de histórias, oficina de expressão plástica, culinária e ciência.
(€8 criança + adulto)

- Balleteatrinho - "O Incrível Rapaz que Comia Livros" - dos 4 aos 10 anos, no Coliseu do Porto, no dia 29 de Outubro (Sábado) das 16h00 às 18h00.
Atelier de movimento e interpretação para sensibilização e introdução no mundo da dança e teatro. No final os pais vão poder assistir ao resultado atelier numa pequena peça apresentada pelos participantes.
(€10)

- Mercadito da Carlota - para todos, no Centro Cultural de Belém, no dia 29 de Outubro (Sábado) das 10h00 à 19h00.
Um mercado que junta várias marcas de roupa e acessórios para bebés e crianças e onde vão decorrer actividades para os mais novos, como teatro de fantoches, pinturas faciais e espectáculo de magia.

Kids Market - para todos, no Hotel Pestana Palace, Lisboa, no dia 29 de Outubro (Sábado) das 10h00 às 19h00 e no dia 30 de Outubro (Domingo) das 10h00 às 18h00.
Um evento que inclui desfiles de moda infantil de variadas marcas, aulas abertas de dança, expressão plástica, leitura de contos, baby gym entre muitas outras diversões para bebés, crianças e adultos.
(€1 que reverte para o projecto Violência no Namoro)

- Actividades da Gulbenkian - dos 2 aos 7 anos, no Museu Gulbenkian, no dia 29 de Outubro (Sábado) às 15h30 e no dia 30 de Outubro (Domingo) às 10h30 e 11h30.
Sábado - dos 5 aos 7 anos "Aaaah! A breve coleção e espantos"
Domingo - dos 2 os 5 anos "Kizwa kyé – Desvendar, furar, ficar!"
(€7,50 criança + adulto. €4 pessoa adicional)

- "Cabelos em Pé" - para maiores de 4 anos, na Casa do Coreto Lua Cheia, Lisboa, no dia 29 de Outubro (Sábado) às 16h00 e no dia 30 de Outubro (Domingo) às 11h30.
Um teatro que explora o conceito de medo (quantos existem? como é que é?)
(€5)

- "O Gato das Botas" - para maiores de 3 anos, no Teatro Armando Cortez, Lisboa, nos dias 29 e 30 de Outubro (Sábado e Domingo) às 15h00.
Um espectáculo musical inspirado no conto de Charles Perrault, apresentado pelo TIL (Teatro Infantil de Lisboa).
(€11)

- "Entre Bruxas e Feitiços, Pé de Cabra e Ouriços", para maiores de 3 anos, no espaço CreSer, Vila Nova de Gaia, no dia 30 de Outubro (Domingo) às 11h30.
Um conto musicado onde aparece a Bruxa Mimi e o Gato Rogério que prometem animar a véspera do Halloween.
(€4)

- Teatro para Bebés "Piu Pau Piu" - dos 6 meses aos 5 anos, Armazém 22 em Vila Nova de Gaia, no dia 30 de Outubro (Domingo) às 11h30.
Para comemorar os 5 anos do Teatro para Bebés, estreia esta criação que pretende estimular os mais novos com um espectáculo visual e interactivo sobre nascer, crescer e voar.
(€8,50 criança + adulto)

De borla:

- "Engenhocas de Palmo e Meio" - para toda a família, no LoureShopping, piso 1, nos dias 29 e 30 de Outubro (Sábado e Domingo), das 11h00 às 13h00 e das 15h00 às 20h00.
Atelier para toda a família ir construindo a sua engenhoca a partir de peças lego.


Bons programas!!!

Susana C. "a corajosa"

26 de outubro de 2016

Crepioca






































Na senda das receitas saudáveis, não posso deixar de partilhar este crepe que não leva farinha de trigo nem açúcares e que dá para o pequeno, almoço, lanche ou jantar - a crepioca!

Cá por casa já nos convertemos todos, cada um com o seu recheio, e para além de ser saudável, tem ainda mais dois trunfos (As trunfo e manilha trunfo, mesmo!): é rapidíssimo de fazer e deixa-nos saciados, ou seja, uma ótima forma de controlar o apetite.


Eu faço a minha crepioca com polvilho doce (amido de mandioca ou fécula de mandioca) que há em praticamente todos os supermercados e grandes superfícies (Jumbo, Continente, Pingo Doce, Lidl, e até já vi no MiniPreço).
O polvilho doce é um hidrato de carbono presente na mandioca, com um baixo teor de gordura, sem glúten, e que faz maravilhas na cozinha. Pode ser utilizado em bolos, fazer tapioca (um dia destes partilho a receita), pizzas e muito mais.
Também encontra à venda polvilho azedo, que tem um sabor mais intenso e azedo por ter sido fermentado.

Então a receita da crepioca que faço cá em casa é a seguinte:

- 1 ovo
- 2 colheres de sopa de polvilho doce
- 1 colher de sopa de queijo quark (há quem ponha requeijão, ou iogurte natural, ou leite, ou não junte mais nada, mas penso que com o queijo fica com uma consistência mais incorpada e fofa de panqueca que eu gosto)

Mexer o ovo com a farinha para unir ambos. Juntar o queijo e envolver tudo.
Numa frigideira anti aderente pode colocar uma gordura (óleo, olho de côco, etc) ou não por nada (eu não ponho nada e não agarra ao fundo) e deite o preparado. Deixe solidificar de um lado, depois vire para solidificar do outro.

O recheio é o que quiser. Pode ser com queijo, fiambre, presunto, cogumelos, espinafres, frango desfiado ou atum. Nestes casos ponho o recheio na crepioca quando a viro na frigideira para o conteúdo derreter (queijo) ou ficar quente. Mas também adoro com salmão fumado e queijo quark, como esta que fiz agora, sendo que neste caso recheio já no prato.

Experimente porque é maravilhoso (e um vício)!

PS - Há duas noites atrás, depois de um serão para adormecermos os três pequenos, eu e o meu marido ficámos cheios de fome. Em vez de comermos bolachas e tudo o que íamos apanhando, decidimos fazer umas crepiocas num instante com presunto e queijo derretido, que ficaram um delícia. Fiquei saciada toda a noite, e fui amamentando o António (que acorda ainda de 3 em 3 horas ou com um intervalo inferior a este) sem sentir fome! (Um mal constante das mamãs que amamentam)

Susana C. "a corajosa"

25 de outubro de 2016

Sunday morning


Domingo e acordar às 8h20, antes mesmo da Carolina despertar,  é assim para cima de espectacular!
Acordei e vejo a pequena de olho fechado, mas olhei de novo e nada de marido!
Decidiu levantar-se às 6h e está a ver pela 89ª vez o Saw II - A Experiência do Medo
Não resisti e acordei a criança aos beijos, ela abriu o olho e pumbas - começou a loucura! Brinquedos por todo o lado, todas as televisões no canal Panda e eu afinal só queria estar na caminha quentinha e sossegada!
Quem me mandou a mim acordar a ferinha, quero dizer a "riqueza da mãe"!
Ela quer brincar aos supermercados, montar o puzzle gigante da pepa...
O pai volta para a nossa cama,  quando finalmente estamos todos juntos na cama a ver o Ratatui, rodeados de pandas, sapos, pocoyos e mais mil e um brinquedos - trimmmmmmm trimmmmm! 
Ups tenho de ir trabalhar! Sim, às vezes também trabalho ao Domingo...
Sorry marido! Safa-te sozinho, brinca até a exaustão às lojinhas, barriguitas e afins!
Ah e não te esqueças de fazer o almoço!
Porque eu, volto quando puder!




Joana Silva a "despistada"